Despedida A Herdeira

Na sexta-feira passada acabei A Herdeira e a verdade é que ainda não me tinha manifestado sobre este final porque tive a tragédia/acidente/sei-lá-o-que-se-pode-chamar da Bali, trabalhei no meu último dia angustiada até as entranhas. Se me perguntarem se me lembro de fazer aquelas últimas cenas, pouco.

Foi o projecto mais tudo da minha vida, nunca me senti tão insegura e realizada ao mesmo tempo. Iniciei o projecto com a Alexa, uma personagem pela qual me apaixonei imediatamente. Amei a história dela e entreguei-me de corpo e alma… Sofri com a morte do Duarte como se tivesse mesmo perdido alguém especial, foi muito bom trabalhar com o Pedro Lamares, foi um óptimo colega e fiquei com um amigo poeta como lhe chamo.

Mas este processo não foi fácil porque surgiu uma irmã, a Maria Luísa, e pela primeira vez vi-me a fazer duas personagens ao mesmo tempo, e a tentar ter espaço para as duas no coração (e no cérebro, com tanto para memorizar!). Trocar várias vezes de personagem ao longo do dia é complicado, fazer duas é muito diferente de fazer uma, acreditem! Nunca tive tão mau feitio na minha vida como tive durante novela. Passei por vários processos pessoais que mantive discretos, (“Como assim, Jessy? Tu partilhas tudo!” lol ), mas tive mais necessidade de me concentrar ao máximo nestas belíssimas personagens.

A minha tia Graça morreu com cancro durante as gravações e não fui a tempo de me despedir dela. Pouco tempo depois o meu pai ficou doente também com cancro e a tratar-se fora de Portugal, tive de gerir uma relação via telefone. Mas antes que fiquem preocupados, o meu pai está a recuperar e está tudo a correr bem.

Descobri que não tenho lágrima nos olhos e que sou intolerante ao uso de lentes de contacto… A Maria Luísa tinha olhos azuis mas felizmente fui vista por óptimos médicos e já tenho os olhos saudáveis outra vez.

No meio disto tudo ainda levei com aquele filme ridículo do Urban, ameaças e o caraças, lembram-se? Isto tudo para vos explicar que o desgaste pessoal às vezes é difícil de gerir com o profissional. Este ano comi menos bem, meditei quase nada, acabei uma relação à distância quando achava que era de vez (achamos sempre não é?). Do nada apaixonei-me por uma pessoa improvável na minha vida, aguentei as críticas e mentiras que foram ditas a meu respeito. E acabei este projecto já com saudades dele, porque foi do caraças fazê-lo. Cresci muito e dores de crescimento doem bué mas também são muito recompensadoras.

Conheci pessoas incríveis, que também estavam a passar por problemas pessoais e mantinham-se ali rijos e profissionais, voltei a trabalhar com outras que me conhecem há 14 anos, rimos, chorámos mas rimos muito mesmo. Adoptei a Kelly e a Júlia como irmãs mais novas, tão engraçadas que com tempo vocês percebem ainda mais. Senti sempre um apoio incondicional do elenco e de toda equipa. A equipa que se desdobra em mil para nos ajudar a levar esta novela até ti, nunca penses que somos só nós. A escrita da Maria João Mira, bolas! Que sorte que tive, que privilégio de ter estas irmãs e ter feito parte desta grande novela “mexicana” que é líder de audiências. E a TVI que continua apostar em mim desde a MIMI dos morangos.

Não fui capaz de ir ao jantar final de projecto mas para todos aqueles que estiveram ao meu lado, adoro-vos e respeito-vos MUITO. Desculpem a porra do meu mau feitio!

Com isto tudo voltei a fazer acupuntura com a Tâmara, estou positiva com as melhorias da Bali e acredito que vêm aí coisas boas para todos nós!

Desculpem a ausência no blog mas não dava para tudo. Estarei mais presente agora.

Love,

Jessy James