#PorqueMeAmo – by Matilde

Lembram-se quando vos pedi para me enviarem as vossas crónicas Porque me Amo?

Aqui vai a primeira, da Matilde Tarrinha… Obrigado Matilde!!

Continuem a enviar as vossas histórias para blogjessyjames@gmail.com :)

Beijinhos

J


Alô alô!!

Amar-me nem sempre foi fácil. Não foi desde sempre que consegui olhar-me ao espelho e gostar daquilo que vejo. Nem sempre consegui, nos ensaios de dança por exemplo, abstrair-me daquele pedação a mais de lombo nas coxas. Mas acho que a real piada da coisa está aí. Não dizem que o amor é difícil? Que por vezes parece inatingível? Que nos faz chorar às 4 da manhã com a nossa melhor amiga? Que nos faz mandar mensagens a quem não queremos a horas que não queremos? Ora bem, o amor próprio é isto mesmo e também passa por estas coisas todas.

A verdade é que agora amo-me. Mesmo. Ainda que pareça egoísmo ou egocentrismo, não me consigo lembrar de ninguém de quem goste mais do que de mim.

Poder levantar-me de manhã e ter a liberdade de pôr a MINHA playlist a tocar enquanto visto aquilo que EU quero, COMO quero. Poder comer um croissant de manhã sem ficar com um enorme peso na consciência (só um bocadinho vá), poder sair de casa de bicicleta (ainda que a saia não me permita ter a viagem mais confortável do mundo). Ter a liberdade de me rir, de fazer palhaçadas, de estar com quem quero às horas que me apetece e, ao fim do dia, ainda poder fazer aquilo que mais amo. Dançar.

Amo ter a possibilidade de, depois de mais um ensaio e mais 362 litros de suor, jantar com a minha família à volta da mesma mesa. Como não poderia amar-me se tenho esta vida? Cheia de mim e dos outros. Claro que nunca nada é perfeito, há muitas coisas más à mistura. Mas não é essa também a piada da cena? É tão bom podermo-nos deitar, por mais tristes que estejamos, e pensar que no dia a seguir vai ser tudo igual. Vamos poder ter a mesma liberdade, a mesma playlist, as mesmas pessoas, os mesmos croissants, os mesmos sítios. As coisas só mudarão se quisermos.

Matilde 

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